Você sabe quais são as habilidades essenciais para aumentar a sua inteligência emocional?

Em meu trabalho como coach tem sido bastante comum eu receber questionamentos sobre o que fazer para obter mais inteligência emocional.

Existem exercícios para isso? Será que ela é realmente responsável por 80% do sucesso na vida? Como ela pode contribuir para o meu desenvolvimento?

Geralmente, as pessoas relacionam a inteligência emocional com ser simpático, calmo ou gentil, mas vai muito além: é preciso se conhecer, ter uma capacidade de dar feedback tanto positivos como negativos e principalmente, é necessário saber lidar com as adversidades do dia-a-dia com bastante firmeza e otimismo.

Existem muitos autores, livros e artigos científicos comprovando a eficácia deste assunto no nosso cotidiano. Mas, nada melhor do que estudar um case de quem tem autoridade neste assunto e, com base em sua teoria revolucionária, conseguiu mudar a forma de pensar de muitas pessoas. Falo de Daniel Goleman, autor do livro Inteligência Emocional.

Essa não é uma resenha do livro; quero apenas contextualizá-lo em relação ao tema aqui abordado. O intuito deste artigo é trazer dicas e exercícios práticos que possam impactar você positivamente em sua carreira e também no seu dia-a-dia.

Segundo um estudo realizado pelo próprio Daniel Goleman e por Richard Boyastzis, da Case Western Reserve University, existem 4 habilidades essenciais que compõem essa inteligência: consciência de si mesmo, gestão de si mesmo, consciência sociais e gestão de relacionamentos.

Antes de esmiuçá-las, vamos entender um pouco sobre esse conceito.

O que é Inteligência Emocional?

Nos últimos anos houve um aumento de pesquisas sobre personalidades e nossas emoções. Os estudos comprovam que parte da inteligência humana e da nossa personalidade é determinada pela genética.

Essas conclusões geram algumas perguntas:

O quanto você pode mudar em si mesmo?

E, por que algumas pessoas inteligentes fracassam na vida, enquanto outras menos inteligentes prosperam? As respostas estão na inteligência emocional.

Segundo Goleman, a evolução nos dotou de emoções que nos ajudam a lidar com situações de risco e agir face ao perigo. Até hoje mantemos o sistema emocional de nossos ancestrais das cavernas, que regularmente enfrentavam situações de vida ou morte.

Na sociedade moderna, essas emoções muitas vezes sobrecarregam o nosso pensamento lógico. Cada pessoa tem duas mentes, uma que pensa e uma que sente. A mente racional permite que uma pessoa pondere e reflita. Já a mente emocional é impulsiva e poderosa.

I. Consciência de si mesmo

Descreve a capacidade de conhecer suas próprias emoções. Compreender as suas emoções mais íntimas é fundamental para usá-las ao seu favor. Ter consciência de si mesmo também significa saber quais são os seus limites e ter autoconfiança sobre os seus pontos fortes.

Aqui vou deixar um teste para você fazer: tente escrever numa folha de papel, com a maior quantidade possível de detalhes, o que você sentiu em um momento difícil da sua carreira.

II. Gestão si mesmo

De acordo com Goleman, quatro habilidades devem ser levadas em conta: autocontrole emocional, capacidade de adaptação, orientação para os resultados e otimismo. Essas capacidades são essenciais para não se desesperar diante de situações adversas e manter o foco no trabalho, com a convicção de que tudo acabará bem. Quem tem essas competências não reage por impulso e consegue lidar mais facilmente com a mudança.

III. Consciência social

Capacidade de reconhecer a emoção e a perspectiva dos outros e ser capaz de ver as coisas através do sistema de valores e crenças da outra pessoa, também conhecida como empatia.

Isso ajuda a prever situações de conflitos e conseguir atuar antes que ocorra algum problema.

IV. Gestão de relacionamentos

Em resumo, descreve a capacidade de induzir atitudes desejáveis em outras pessoas, como administrar conflitos ou capacidade de trabalhar em equipe. Pessoas com facilidade para gerir relacionamentos sabem como desenvolver seus liderados, dar feedbacks negativos, criar grupos de trabalho motivados, vencer negociações e dissolver mal-entendidos.

Uma avaliação prévia dos 4 pilares irá lhe ajudar a identificar o que você vai precisar melhorar. É sempre interessante buscar uma leitura de alguém que fora: colegas de trabalho, amigos, cônjuge ou chefe.

Agora que você já sabe quais são as habilidades que precisa desenvolver, segue uma lista com 10 sinais para você refletir se tem inteligência emocional no trabalho, divulgada pela Revista Exame e elencada originalmente por Travis Bradberry em seu artigo original aqui mesmo no LinkedIn.

1. Você sabe descrever suas emoções com palavras precisas

Ter um vasto “vocabulário emocional” é uma capacidade rara, segundo o consultor. Dizer apenas que está se sentindo “mal” é muito diferente de se descrever como “perplexo”, “frustrado” ou “ansioso”, por exemplo. Pessoas com inteligência emocional sabem gerir seus próprios sentimentos porque sabem exatamente quais são eles.

2. Você conhece o seu lado mais frágil

Para Bradberry, saber quais são as suas principais vulnerabilidades é essencial na hora de administrar o seu comportamento. “Ter um QE [quociente emocional] alto significa conhecer as suas forças, e como usá-las a seu favor, mas também impedir que as suas fraquezas atrapalhem você”, escreve ele.

3. Você é um bom juiz

A habilidade em relação aos sentimentos, intenções e motivações de outras pessoas é outro sinal típico desse tipo de inteligência. Se você tem um julgamento perspicaz e sensível a respeito dos demais, é provável que tenha um alto grau de competência emocional.

4. Você não se ofende facilmente

É difícil acabar com a alegria de quem tem autoconfiança. “Pessoas emocionalmente inteligentes são seguras e têm mente aberta, o que lhes garante uma ‘pele’ bastante grossa”, é o que diz Bradberry. Isso significa relevar brincadeiras, críticas e agressões alheias – e até tirar sarro de si mesmo de vez em quando.

5. Você é capaz de dizer “não”

Levar comentários negativos na esportiva não significa ser passivo. Ter competência emocional implica, também, em saber colocar limites. Segundo Bradberry, rejeitar novas tarefas e compromissos de forma assertiva é difícil, mas traz ganhos importantes para a saúde física e mental.

6. Você perdoa a si mesmo

Quem tem domínio sobre o que sente costuma contemplar seus próprios fracassos de forma tranquila – mas não ignorá-los. “Remoer os seus erros traz ansiedade e timidez, enquanto esquecê-los completamente pode fazer com que se repitam”, escreve o consultor. É como uma “corda estreita”, observa Bradberry, em que só os mais competentes conseguem andar sem tropeçar.

7. Você não cultiva rancores

Assim como são capazes de perdoar seus próprios erros, pessoas com inteligência emocional também costumam “absolver” os outros. Mágoa e rancor são dois ingredientes para o estresse e até para doenças como pressão alta. Quem consegue dominar seus próprios sentimentos, naturalmente, prefere fugir desses gatilhos de mal-estar.

8. Você é generoso

Oferecer ajuda sem pedir nada em troca é uma característica típica de quem tem inteligência emocional, diz Bradberry. “Essas pessoas constroem relacionamentos fortes porque estão sempre pensando nos outros”, escreve ele.

9. Você neutraliza pessoas “tóxicas”

Na hora de lidar com colegas ou chefes difíceis, o profissional com QE alto identifica seus próprios sentimentos, como frustração ou raiva, e impede que eles se transformem em descontrole. Além disso, ele procura respeitar o ponto de vista da pessoa “tóxica” e procura encontrar soluções positivas para as duas partes.

10. Você não busca a perfeição

“Pessoas com inteligência emocional não veem a perfeição como um objetivo, porque sabem que ela não existe”, escreve Bradberry. Diante da inevitabilidade dos problemas, elas não se queixam sobre o passado e simplesmente seguem em frente.

Independente das conclusões que você possa ter chegado, sempre há espaço para evoluirmos não é verdade?

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Diante do exposto, gostaria de compartilhar alguns exercícios que podem ajudá-lo a melhorar a sua inteligência emocional. As questões foram adaptadas de uma matéria da Revista Exame.

Exercício 1 – Autopercepção.

1. Identifique os “gatilhos” das suas emoções. Se você tem alguma reação a um evento, pare e procure descobrir por que você está se sentindo tão nervoso ou tão aliviado, por exemplo.

2. Visite os seus valores. Saber o que é importante para você contribui para o seu autoconhecimento e ajuda a prever as suas próprias reações.

3. Procure feedback dos outros. Saber o que as pessoas pensam das suas atitudes – e estar aberto a essas opiniões – ajuda a conhecer melhor o seu próprio modo de ser.

Exercício 2 – Autogestão.

4. Conte até dez. Para “esfriar o sistema” e elevar o nível das suas respostas, a dica é esperar um tempo antes de agir. Atrasar a sua reação emocional pode evitar desgastes desnecessários causados por uma “explosão”.

5. “Durma sobre o problema”. Deixar uma decisão difícil para o dia seguinte, após uma noite de sono restauradora, pode arejar as ideias e garantir um comportamento mais tranquilo.

6. Saiba que as mudanças estão “na esquina”. A consciência de que os vínculos e os conflitos são passageiros aumenta a sua resiliência. Você aguenta melhor o impacto dos problemas se sabe que eles vão ter fim.

Exercício 3 – Percepção social

7. Chame as pessoas pelo nome. O hábito desarma e faz o outro “baixar a guarda”. Com esse vínculo criado, você terá um acesso mais fácil às emoções alheias.

8. Limpe a mente de distrações ao interagir socialmente. Esqueça o resto das suas preocupações e fixe a sua atenção na outra pessoa. Isso porque é impossível perceber as emoções do outro se você não é capaz de ouvi-lo.

9. Observe as pessoas. Quando você não estiver participando de uma cena, assista a ela. Estudar o modo como os outros falam, riem e interagem pode dar dicas valiosíssimas sobre como se relacionar com eles.

Exercício 4 – Gestão de relacionamento

10. Seja curioso a respeito dos outros. Se você demonstra interesse em conhecer uma pessoa, cresce exponencialmente a sua capacidade de influenciá-la no ambiente de trabalho.

11. Explique as suas decisões, não apenas tome-as. Comunicar frequentemente os motivos das suas atitudes contribui para que os outros compreendam você e se tornem seus aliados.

12. Use expressões para a correção de conflitos. Pedir desculpas nunca é demais. Outra dica é trazer para si o motivo da briga no discurso. É melhor dizer uma frase como “eu fiz algo que afetou você” do que “você fez algo que me afetou”. Se o outro entende que você não o culpa pelo problema, aumentam as chances de reconciliação.

Conclusão

Sem dúvida alguma o fator emocional da nossa inteligência é de suma importância para termos sucesso: basta desenvolvê-los.

Espero que este texto lhe ajude no desenvolvimento da sua inteligência emocional!

Edzanini Written by: