Essencialismo: a busca constante pelo o que realmente importa

Neste último final de semana tive o prazer imenso de receber os meus pais e meus irmãos, aqui em Porto Alegre, para a comemoração do Dia das Mães.

Como de costume, meus pais me trazem alguns agrados diretamente de Veranópolis: laranjas, bergamotas, batatas-doces, aipins, entre outras delícias. É uma verdadeira fartura! Às vezes, brinco com meus irmãos: “Será que nossos pais acham que não estamos nos alimentando bem?”. Hehe!

Durante o tempo em que passei com eles tive alguns insights para escrever este texto.

Desde que comecei a trabalhar de casa venho buscando as melhores formas para melhorar a minha produtividade e minha performance no meu negócio. É uma busca constante. Algo que tem me ajudado muito neste sentido é filtrar o excesso de informações.

Outra coisa que tem sido fundamental neste processo é o Essencialismo, conceito cunhado por Greg McKeown.

Talvez você deva estar se perguntando o que os meus pais tem a ver com este conceito.

Bom, assim como os meus pais, eu e os Essencialistas temos algo em comum.

Afinal, o que são os Essencialistas e o que é o Essencialismo?

O conceito de Essencialismo segue uma linha de raciocínio que diz que se pararmos de tentar fazer tudo ao mesmo tempo, podemos focar naquilo que temos de melhor – o que realmente importa.

Os Essencialistas são contrários a ideia de que é possível fazer tudo ao mesmo tempo. Eles escolhem pensar com clareza sobre suas opções. Segundo o autor, esses indivíduos conseguem separar o vital do trivial e se livrar do que não é essencial.

Aqueles que buscam viver da forma Essencialista tem mais disciplina para alcançarem o ponto máximo de contribuição para seus objetivos.

Segundo Greg McKeown:

“O não essencialista acha que quase tudo é essencial”.

Voltando ao exemplo dos meus pais, eles sempre buscaram fazer o que realmente era essencial para eles, não se preocupando com o que fosse.

Exemplo: meus pais sempre plantaram muitas coisas, como batata doce, aipim e laranja. Eles nunca se preocuparam com agrotóxicos – o que daria aos alimentos uma vida extra. Para eles, o essencial é um alimento saudável.

Hoje eles vivem com o que consideram essencial. Não pensam em comprar as roupas que estão na moda, um celular top de linha ou até mesmo um vinho chileno ou argentino – para eles o vinho de mesa é ótimo, não precisam de um rótulo bacana.

Abaixo, alguns aprendizados que tive com esse livro e que considero essenciais para conseguirmos ter uma rotina mais produtiva.

O paradoxo do sucesso

Vivemos em uma sociedade em que dizer ‘sim’ parece ser algo grandioso e ‘não’ algo vergonhoso. Isso nos leva ao chamado paradoxo do sucesso.

Você já não se pegou com inúmeras tarefas que foram acumulando ao longo do dia e, de alguma forma, se sentiu o “cara que resolve os problemas”?

Esses excessos de tarefas que aparecem além do normal fazem com que nos distanciemos do nosso objetivo inicial.

A medida que drenamos a nossa energia e ficamos exaustos ao final do dia, o sinal de alerta deve ser ligado.

A busca por sucesso acaba por sufocar e bloquear nossa capacidade de focar nas coisas realmente essenciais que, em primeira instância, são as geradoras do sucesso.

“Tudo muda quando nos permitimos ser mais seletivos no que optamos por fazer”.

Arrumando o armário

Vamos imaginar o nosso armário cheio de roupas – que na maioria das vezes nunca usamos. Se não pararmos para organizar o excesso, ele muito provavelmente não desaparecerá.

Isso serve para a nossa vida. Precisamos nos perguntar se o que estamos fazendo oferecerá alguma contribuição para o nosso objetivo.

A medida que identificamos as roupas que não estamos usando, precisamos fazer algo. Doá-las, por exemplo, seria uma boa ideia.

Em relação à nossa rotina, temos que identificar aquelas atividades que apenas geram acúmulo no armário da vida, eliminando-as na medida do possível.

É preciso criar uma rotina que favoreça a prática do essencial.

“Tornar-se essencialista é um processo demorado, mas os benefícios são infindáveis”.

A beleza da rotina

Para o Essencialista, a rotina não demanda nenhum esforço. Criar uma rotina Essencialista aumenta seus resultados e o fará remover obstáculos. Obviamente, será necessário algum tipo de esforço, mas com o tempo o cérebro assumirá o ‘piloto automático’ e as coisas se tornarão mais e mais fáceis.

Para criarmos uma rotina precisamos entender que os hábitos tens algumas raízes profundas que de alguma forma precisaram ser alteradas.

Todo hábito tem 3 partes: a deixa, a rotina e a recompensa. A deixa representa a luz verde que comanda o cérebro a iniciar aquele hábito. A rotina representa o hábito em si e, por último, a recompensa demonstra ao nosso cérebro se ele deverá repetir aquela ação.

Digamos que você perca muito tempo assistindo TV quando chega em casa depois do trabalho. Ao invés de tentar mudar o hábito, devemos encontrar a luz verde que inicia todo esse processo.

Por exemplo, se toda vez que você volta para casa senta em seu sofá e liga a TV, você pode continuar sentando em seu sofá, mas ao invés de ligar a TV, ligue o som e coloque alguma música ou sente e leia um livro.

O importante é começar a mudar com pequenas coisas.

Os essencialistas escolhem fazer uma coisa a menos agora para fazer mais amanhã”.

Já pensou em dizer ‘não’?

Para os Essencialistas, dizer ‘não’ para os pedidos menos importantes é o que realmente fará a diferença para buscarem o seu melhor, aquela que é sua habilidade única.

Eles entendem que é impossível agradar todo mundo e buscam ser respeitados por conta de suas escolhas.

Nosso tempo é extremamente valioso e o profissional de qualidade procura mostrar isso através de suas decisões.

“As escolhas que fazemos a favor do essencial e da eliminação do não essencial vão se superpondo, tornando essa escolha cada vez mais habitual até se tornar natural”.

Espaço para pensar

Quando foi a última vez que você parou para refletir? Não, não aqueles cinco ou dez minutos a caminho do trabalho, mas uma pausa com qualidade e sem distrações?

No mundo em que vivemos, em que somos bombardeados com excesso de informação, isso é extremamente difícil.

Precisamos criar tempo para pensar. Bill Gates é um exemplo disso. Mesmo nos períodos mais ocupados na Microsoft, ele parava por uma semana para ler, estudar e refletir. Claro, tirar uma semana de folga é muito difícil. A ideia aqui é se organizar para fazer um pouco a cada dia.

Outro exemplo é Jeff Weiner, presidente-executivo do LinkedIn, que chega a parar por até duas horas por dia. Ele faz isso em períodos de 30 minutos cada. A ideia surgiu devido a quantidade de reuniões. Desta forma, ele consegue se renovar emocionalmente e refletir sobre o que é essencial para os rumos da empresa.

A importância de dormir bem

Dormir bem é uma forma de proteger nosso corpo para termos energia suficiente para lidar com as adversidades do dia a dia.

Charles A. Czeisler, professor de medicina de Harvard, compara a falta de sono a alguém alcoolizado – ele descobriu que ficar 24 horas sem dormir tem o mesmo efeito no cérebro que 0.1% de álcool no sangue.

Tentem imaginar este cenário em um ambiente corporativo, certamente ninguém aprovaria a ideia de ter um funcionário alcoolizado, em contrapartida, um colaborador que deixou de dormir por conta do trabalho seria muito elogiado.

Quando dormimos bem, conseguimos fazer melhores interpretações dos acontecimentos, além de termos uma melhor capacidade de explorar mais os problemas e sermos mais produtivos durante o dia.

Estar preparado para o inesperado

Os Essencialistas criam espaços em suas vidas para conseguirem dar conta de suas responsabilidades, pois sabem que o futuro é imprevisível.

Um estudo realizado por Daniel Kahneman criou a expressão “falácia do planejamento” que, em linhas gerais, significa que sempre subestimamos o tempo necessário para realizar algo.

O estudo foi realizado com 37 universitários. Foi pedido que eles estimassem o tempo que levariam para completar sua monografia caso tudo ocorresse conforme o planejado. A estimativa média foi de 48.6 dias, mas na realidade os estudantes levaram 55.5 dias.

O autor fala que, para não cair nesse erro, devemos acrescentar 50% a mais de tempo para tarefas que precisamos completar.

Portanto, se tiver uma reunião com algum cliente com duração de uma hora, acrescente mais meia por garantia.

Quando percebermos que as tarefas foram cumpridas antes do tempo, nos sentimos muito bem, como se fossemos vencedores.

Com o tempo, nossa rotina se tornará mais suave, fazendo com que o cérebro se concentre em coisas mais importantes.

Isso trará mais produtividade com menor esforço.

Viva o presente

Passamos boa parte do nosso tempo no passado – tentando consertar algo que fizemos – e no futuro – imaginando como seríamos se algo acontecesse e mudasse tudo.

Os Essencialistas vivem no presente e entendem que só temos controle sobre o agora e que, por isso, não vale a pena se distrair e perder o foco.

Uma forma para viver no presente é ficar centrado naquilo que você esteja fazendo e controlar o fluxo de pensamentos.

Preste atenção na sua respiração e encontre o que é mais importante naquele exato momento.

Conclusão

Ser Essencialista é muito mais do que a capacidade de fazer mais coisas com menos tempo, mas sim fazer o que realmente importa, fazendo as coisas certas.

A ideia do “menos, porém melhor” é uma filosofia de vida adotada por figuras importantes dos mais variados estilos de vida – desde religiosos, como Dalai-Lama, à empresários como Steve Jobs e atletas como Michael Jordan.

Portanto, questione-se: você está assumindo compromissos somente para agradar os outro? Se a resposta for positiva, isso limitará e muito o seu poder de decisão.

Quando temos clareza no que fazemos, tomamos nossas próprias decisões de forma Essencialista.

Agora me diga: você já se questionou se está fazendo somente o essencial?

Edzanini Written by:

2 Comments

  1. Lucas Alves
    maio 22, 2017

    Muito bom, Eduardo! Junto com esse conceito de essencialismo está interligado o de mindfulness, não conheço muito a respeito, estou com a intenção de leitura de alguns livros que tratam a respeito desses temas, inclusive o livro por você citado do autor Greg McKeown, pois venho passando por uma fase de muitas indecisões na escolha de que caminho seguir, então creio que esses temas são de muita relevância.
    Obrigado!

    • Edzanini
      junho 6, 2017

      Muito obrigado pelo comentário Lucas. O livro ele foca muito no essencial, focarmos nossas forças e escolhas no que realmente importa. O que eu puder ajudar, será um prazer. Grande abraço.

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