As lições que aprendi no Chile podem te ajudar a ser mais persistente com seus objetivos

No final de maio participei de dois treinamentos de desenvolvimento pessoal. Foram sete dias muito intensos e com bastante aprendizado, fazendo com que minha cabeça borbulhasse de ideias.

Um tema bastante comentado nos eventos foi a nossa capacidade de lidar com as adversidades do dia a dia. Infelizmente, muitas pessoas acabando desistindo de seus sonhos e objetivos quando se deparam com o primeiro obstáculo.

Um grande ponto relevante sobre isso é a persistência. Pessoas que persistem entendem que as coisas nem sempre darão certo na primeira tentativa, então seguem tentando até obterem êxito – ao ponto de se tornarem especialistas e referências naquele assunto.

Tem um livro que gosto muito, – e que sempre indico para os meus clientes – chamado “As Vantagens da Adversidade“, onde o autor Paul Stoltz entrevistou mais de 100 mil pessoas (sério!) para fundamentar sua teria e descobrir porquê algumas pessoas tem sucesso na vida e outras não.

Gostaria de trazer algumas lições que eu aprendi sobre como podemos lidar com as adversidades do dia a dia e como podemos trabalhar nossa persistência diante de obstáculos que parecem insuperáveis. Para exemplificar, usarei como base uma viagem que fiz para o Chile em fevereiro de 2010.

Vulcão Villarrica

Foi uma experiência incrível, além da fantástica capital Santiago, que é muito bem estruturada e desenvolvida, eu e meus amigos estivemos em Viña Del Mar e Valparaíso, cidades litorâneas muito próximas a capital, com belezas diferentes das nossas aqui no Brasil, mas que achei incríveis.

A experiência mais marcante pra mim foi quando visitamos uma cidade no sul do Chile, chamada Pucón. É um lugar incrível e com inúmeras belezas naturais. Além de suas belas paisagens, a cidade oferece muitas atividades, como rafting, canopy, canyoning e trekking entre seus magníficos vulcões, rios e lagos.

Uma das nossas escolhas foi a escalada do Vulcão Villarrica, com mais 2.847m de altura. Para realizar a escalada é preciso respeitar algumas condições climáticas, que podem impedir a subida – como a velocidade do vento e, principalmente, a neblina que dificulta a visão. Foi o que aconteceu em nossa primeira tentativa. Não conseguimos porque estas condições não permitiam.

Como iríamos ficar somente três dias na cidade e a subida ao vulcão estava programada para dia seguinte, decidimos desbravar a cidade. Visitamos alguns centros termais e fizemos rafting no Rio Trancura. À noite fomos em alguns cassinos e fizemos uma pausa para o jantar. Como não tínhamos certeza se iríamos de fato para a escalada no vulcão, resolvemos beber várias algumas cervejas.

A escalada estava programada para a madrugada, às 4h30. O que não contávamos é que o tempo estaria propício para tal atividade – e confesso que naquele momento não estava muito afim de sair da cama, pois estava com uma baita ressaca! Hehe!

Para subirmos precisamos de equipamentos específicos como roupas impermeáveis, botas e óculos. A foto abaixo mostra nossa vestimenta.

A duração prevista da escalada era de 6h. Iniciamos com o pé esquerdo. Além da ressaca, o bondinho que nos levaria até a parte onde tem neve e seria o ponto de partida da escalada, estragou e tivemos que subir todo esse trecho a pé.

À medida que subíamos os obstáculos eram maiores. Parecia que o grau de dificuldade aumentava. Tínhamos que nos cuidar pois, se escorregássemos, teríamos que subir novamente – e cada pequena subida era uma pequena vitória.

O cansaço era evidente – ainda mais com a ressaca – e aquela vozinha interna dizia: “Desiste! Não vais conseguir! Não vale a pena!”.

Como a subida tinha algumas paradas para descanso, onde nos hidratávamos e comíamos algo, os guias que estavam nos acompanhando, percebendo nosso cansaço, perguntaram: “Alguém quer desistir?”. Várias pessoas do grupo que nos acompanhava falaram que sim e os guias os levavam para onde iniciamos. Confesso aqui que, por muito pouco, não fui um desses caras.

Algo que aprendi no momento que estava subindo era que não podia olhar para cima, por que quanto mais olhava, mais longe eu via que estávamos e a vontade desistir aumentava.

Simplesmente não olhava, focava nos pequenos trechos e seguia o meu caminho, até que em determinado momento escorreguei e voltei para trás. Quando percebi que tinha que subir aquela parte novamente, pensei imediatamente: “Quer saber? Agora larguei!”.

Mesmo assim, segui e persisti na subida. Até que, finalmente, chegamos na cratera do vulcão.

A sensação era extraordinária! Um sentimento que compensa qualquer esforço.

Terremoto no Chile

Depois de conhecer Pucón retornamos para Santiago, onde iríamos ficar mais 1 dia e então voltaríamos para Porto Alegre.

Na mesma noite jantamos com um amigo que morava em Santiago. Tudo estava bem, os convidados bebendo, todo mundo rindo e se divertindo.

Até que em determinado momento sentimos um tremor no prédio. Parecia tudo normal – Santiago é uma cidade onde os tremores são comuns. O problema é que aquele não foi um tremor comum. Se tratava do maior terremoto que o país já presenciou: 8.8 graus na Escala Richter (o que é coisa pra caramba!).

Descemos rapidamente pela escada e ficamos aguardando debaixo do prédio, conforme recomendam, pois na rua havia muito risco devido a eletricidade.

Na realidade, ninguém tinha muita dimensão do que estava acontecendo, não conseguíamos ver muita coisa, apenas constatamos que a cidade é muito bem preparada para essas ocasiões. Ficamos sem comunicação por um tempo e assim que foi possível avisamos nossos familiares de que estávamos bem.

Tivemos que ficar na cidade por mais 5 dias, já que o aeroporto foi afetado e estava sem condições de receber os voos.

Como não tínhamos o que fazer, aproveitamos o tempo livre para conhecer alguns locais de Santiago. Foi aí que tivemos a dimensão dos estragos que o terremoto causou.

Chegou um ponto em que realmente não tínhamos mais o que fazer e estávamos, com o perdão da expressão, de saco cheio. Cogitamos até voltar de ônibus, mas não havia acesso pela estrada. Então, continuamos persistindo em nossa volta pra casa até que, finalmente, conseguimos que nos encaixassem num voo de volta para Brasil.

Foi um alívio.

Conclusão

Por que eu quis contar essa história?

Porque ela ilustra muito bem o que eu vivenciei nos treinamentos que participei nas últimas semanas. Não podemos desistir no primeiro obstáculo. Temos que persistir e seguirmos em frente para, assim, conseguirmos concretizar os nossos objetivos.

E você, como lida com as adversidades do dia a dia?

Edzanini Written by: